Principais ilhas

Principais ilhas

Itaparica

A ilha de Itaparica – a maior entre as 56 existentes no arquipélago da Baía de Todos os Santos – é a mais famosa e conhecida de todas. Não apenas por sua prodigiosa extensão (293 km²), não fosse a localidade bastante marcada por fatos importantes da origem da colonização portuguesa e da passagem dos holandeses pela Bahia, e ainda pelos que ensejaram a própria independência do país ocorrida na Bahia.

Itaparica (do tupi “cerca de pedra”) mantém ainda essas marcas através do seu rico patrimônio cultural, conservado e simbolizado pela existência de vários monumentos históricos, resultado de uma arquitetura que esteve à mercê de vários estilos ao longo dos anos, como a igreja de São Lourenço, construída em 1610, o Solar da Praça da Piedade, do século XVIII, a igreja do Santíssimo Sacramento, a fortaleza de São Lourenço, construída em 1711 e um dos mais significativos símbolos da luta pela independência, bem como o parque da Fonte da Bica, de 1842, de onde jorra uma água mineral excelente qualidade.

A ilha, de rica vegetação tropical, tornou-se um local bastante procurado por turistas e veranistas por causa de sua inegável beleza. A barreira de corais voltada para o mar, com cerca de 15 km, criou naturalmente um ambiente propício para o lazer, com águas calmas, límpidas e uma variedade de opções de relaxamento, que vão do banho e o mergulho em suas piscinas mornas e naturais, às caminhadas, cavalgadas, passeios de bicicleta e esportes náuticos.

Em agosto de 1833, a ilha de Itaparica foi emancipada de Salvador para, em junho de 1962 ser elevada à categoria de município. Com o tempo, viu-se desmembrada em duas, resultando nos municípios de Vera Cruz e Itaparica. O primeiro, hoje, é composto por povoados e localidades como Penha, Barra Grande, Conceição, Barra do Gil, Berlinque, Cacha-Prego, Aratuba, Coroa, Barra do Pote, Tairu e Mar Grande, que sedia o município. Itaparica abriga os povoados de Manguinhos, Ponta de Areia, Amoreiras e Porto Santo.

Frades

Ainda hoje não sabe ao certo a origem do nome da ilha, dada as várias cognominações que recebeu desde a sua descoberta, no início do século XVI. Há quem a identifique como Paramana, Viração, Loreto ou Ponta de Nossa Senhora, mas, na realidade, estes nomes, com a passagem do tempo, passaram a consagrar apenas as praias e povoados da ilha. Definitivamente e de forma oficial pode-se, hoje, tratá-la apenas como Ilha dos Frades, como é largamente conhecida.

Por que? Segundo a memória popular, de tradição oral, no início daquele século, um grupo de frades teria naufragado na Baía de Todos os Santos e, nadando, conseguiram alcançar a ilha. Mas, literalmente, todos acabaram morrendo na praia, sacrificados pelos tupinambás que ali habitavam. Uma outra versão autentica o sacrifício canibal, mas atribui à livre e espontânea vontade dos religiosos, movidos pela catequese, o desembarque na ilha. Posteriormente, a Ordem dos Jesuítas foi proprietária da ilha, até ser expulsa do Brasil pelo Marquês de Pombal.

Sua importância histórica ainda pode ser flagrada através dos testemunhos que ficaram do tempo do apogeu, quando era significativa a contribuição da ilha ao abastecimento da então cidade da Bahia. Lá estão alguns símbolos das relações sociais e econômicas de tempos passados, quando, por exemplo, no século XIX, servia de local de aguardo dos tumbeiros (navios negreiros que davam suporte ao tráfico de escravos) e o lazareto, uma espécie de armazém em local afastado onde escravos ou estranhos, sem caderneta sanitária e sob suspeita de portarem doenças contagiosas, eram mantidos em quarentena, além de funcionar também como local de engorda dos escravos antes de serem vendidos. Estão localizadas aliás as igrejas de Nossa Senhora de Loreto (de 1645), completamente restaurada pela Fundação Baía Viva, e a de Nossa Senhora de Guadalupe, também do século XVII, que a mesma Fundação vem recuperando.

Madre de Deus

Como quase todas as ilhas da Bahia de Todos os Santos, a de Madre de Deus também está impregnada de história, a começar pelo seu nome original, Curupeba (sapo miúdo) alcunha que lhe foi dada pelos índios tupinambás, que a habitavam antes da chegada de Pedro Álvares Cabral. A ilha, palco de invasões estrangeiras pertenceu, a partir de 1534, à sesmaria de Mem de Sá (terceiro Governador-Geral do Brasil), até ser doada aos jesuítas durante o processo de colonização. Posteriormente à sua expulsão e reintegrada à Coroa, a ilha passou a ser denominada de Freguesia de Madre de Deus do Boqueirão e, em 1584, arrendada a lavradores passou finalmente a ser conhecida apenas como Madre de Deus.
Como estava na metade do caminho entre a cidade da Bahia e as usinas produtoras de açúcar do recôncavo, a ilha tornou-se importante ponto de apoio às embarcações durante a colonização. Em 1989, através de Lei Estadual, a ilha foi desmembrada de Salvador e elevada à categoria de município, passando a ela pertencer as ilhas de Vacas, Maria Guarda e a Coroa do Capeta.

Nas ruas e localidades próximas a história deixou marcas em Madre de Deus, destacando-se as casas de Laudelino Pinheiro e de Pedro Gomes que chamam a atenção no alto da praça que abriga a Igreja Matriz de Nossa Senhora. Na praia de Suape o destaque é a Casa dos Dois Leões e a antiga residência de praia do ex-governador Antônio Balbino, todas vinculadas à segunda metade do século XIX.
Não é demais lembrar que Madre de Deus, no início do século passado, foi a ilha preferida dos veranistas de classe média residentes em Salvador, até a radical mudança que viria sofrer com a instalação da indústria petrolífera na região nos anos 50, destacando-se a Refinaria Landulpho Alves e o terminal marítimo da Petrobrás.

Maré

É a terceira maior ilha da Baía de Todos os Santos e, certamente, a mais próxima de Salvador, cujo percurso pode ser feito em 20 minutos, o que explica em parte a enorme quantidade de banhistas que a freqüenta nos fins de semana, não fora antes a exuberante paisagem composta por coqueirais e bananais, que acolhem águas mornas e cristalinas. Um dos melhores banhos de mar da baía, principalmente quando se está na quase deserta praia do Botelho, de onde se descortina uma das mais belas vistas panorâmicas do arquipélago.
A ilha de Maré ainda abriga as casas simples dos pescadores nativos e das rendeiras que trabalham com a renda de bilro, resultando em peças diversas como blusas, batas, toalhas de mesa e outros acessórios feitos a mão, herança do artesanato popular desenvolvido ao longo de várias gerações. Uma cultura que tem como símbolo maior a Capela de Nossa Senhora das Neves, construída em estilo colonial no XVI.
O acesso à ilha se dá através do terminal marítimo de São Tomé do Paripe, de onde saem barcos quase que ininterruptamente e, por isso mesmo, bastante freqüentada pelas populações residentes no subúrbio e cidade baixa, principalmente da Ribeira, Itapagipe, Caminho de Areia e Bonfim.

Bom Jesus dos Passos

É uma das mais atraentes por sua beleza natural. Localizada entre as ilhas de Madre de Deus e Frades – Bom Jesus dos Passos chama a atenção dos barcos que singram pela baía pelo seu fascinante recorte cenográfico, destacando-se a ponte de atracação e, ao fundo, a igreja de Bom Jesus dos Passos. Tudo, como o azul do céu e as águas límpidas e calmas, suscita um verdadeiro desembarque no paraíso, não já fosse um ambiente ideal para o lazer e os esportes náuticos.
Hoje, nem parece que a aprazível localidade já tivesse, em 1624, sido palco de resistência à invasão dos holandeses. Conhecida no passado como Pataíba Assú ( ou madeira de palmeira pati) a ilha também era habitada pelos índios tupinambás, tendo recebido, em 1776, o nome que a designa atualmente, data da construção da sua primeira igreja. Os visitantes ainda podem conhecer algumas relíquias do passado, como o solar dos Duarte, a capela de Nossa Senhora da Conceição e as fontes Grande e Porrãozinho.
De acordo com os relatos de moradores, a ilha já foi um importante pólo produtor de embarcações de pequeno porte na Baía de Todos os Santos. Muitos dos barcos atualmente utilizados para transporte de passageiros na porção norte da baía foram construídos em Bom Jesus dos Passos. A atividade, porém, se encontra em declínio e atualmente apenas serviços de reparos em embarcações são realizados em pequenas oficinas/estaleiros.

Tal como já vem realizando na ilha dos Frades – em estágio de obras mais avançado – a Fundação Baía Viva vem desenvolvendo estudos urbano-ambientais voltados para a requalificação de Bom Jesus dos Passos.

Medo

Ainda hoje podem ser vistas as ruínas do antigo hospital para leprosos e de um quartel que funcionaram na ilha no século passado. A tradição oral tem versões diferentes para explicar a origem de seu nome. Há quem a justifique o batismo em função de eventuais assombrações que passaram a conviver no local com o leprosário, para onde eram levados os pacientes terminais tanto de lepra como de cólera-morbo. A outra lenda versa sobre um pároco de Itaparica que teria recebido gratificação para rezar uma missa no local, mas nunca o fez. Com a sua morte, sua alma ficou responsável por uma celebração com tons fantasmagóricos, convidando os nativos para assisti-la.

Sem dispor de uma fonte de água potável, a ilha do Medo, uma das menores da baía (12 mil m²), pertencente à comarca de Itaparica e é desabitada até hoje.

Bimbarras

A pequena ilha busca hoje consolidar um projeto voltado para o turismo náutico que contemple toda a Baía de Todos os Santos. Baseia-se em conceito de auto-sustentabilidade que privilegia uma série de iniciativas voltadas para o turismo de baixa densidade e, ao mesmo tempo, torne operante e produtiva uma fazenda focada na produção de árvores frutíferas regionais, maricultura e pecuária.

Matarandiba

A ilha fica situada próxima à Ponta do Funil, que conecta a ilha ao continente. Torna-se quase que obrigatório para velejadores e iatistas dar uma parada no local quando estão navegando na contra-costa da ilha de Itaparica.

Outras

Destacam-se ainda as ilhas Cajaíba, Porcos, Pati, Canas, Fontes, Grande e Monte Cristo.

Nó